Queria ser cientista,
Queria ser poeta,
Queria ser asceta,
Ator e musicista.
Queria mergulhar fundo na sopa de palavras indizíveis perdidas no limbo do meu estômago
E presentear a humanidade com a clarividência do absoluto físico e matemático da psicociência vertiginosa da vida, da morte, do Sol e do Universo.
Queria vibrar cada neurônio do meu cérebro em impulsos musicais criativos que sublimassem a indescritível beleza da inteligência humana em ordenar barulhos e transformá-los em sentimentos.
Queria ser baterista,
Escritor, artista,
Pintor, dramaturgo,
Astronauta, alpinista,
Cantor e poliglota.
Mas de ambição, idiota,
Me perco sonhando,
Em tudo e tanto,
Que sequer uma nota,
Um verso, um pensamento,
Me saem de tão querente movimento.

